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A Ordem dos Frades Menores Capuchinhos
A Ordem dos Frades Menores, em seu esforço por permanecer fiel às intenções do fundador, São Francisco de Assis, passou por muitas dificuldades ao longo de sua história, o que a levou a desacordos e divisões. Surgindo, então três ramos maiores da Primeira Ordem, os Frades Menores Observantes, os Frades Menores Conventuais e os Frades Menores Capuchinhos, tiveram cada um sua organização e estrutura legal, mas todos apelam para São Francisco como seu pai e fundador.
Cerca de 320 anos depois que São Francisco fundara a Ordem dos Frades Menores, alguns irmãos, desejosos de uma vida mais radical na observância da pobreza, da contemplação e do serviço aos homens, foram se ajuntando.
Nada queriam de muito especial. Requeriam da Ordem apenas à liberdade de viverem segundo o que havia sonhado, proposto e vivido Francisco de Assis. Não tanto uma vida conventual, na observância monástica, mas um conviver fraterno em moradas simples, os eremitérios, onde as melhores energias não fossem gastas na manutenção do que deve ser apenas meio e não fim. Não as roupas e aparência triunfal que marcavam os eleitos, mas o despojamento que os tornasse mais próximos dos simples. Não tanto a oração formal dos grandes mosteiros, mas a fala de coração a coração com Deus, na contemplação. Não o isolamento atrás muros conventuais, buscando aí sua própria salvação, aguardando que os homens ali os procurassem, mas um ir ao encontro dos homens, dando-lhes e deles recebendo o que todos precisamos: o perdão e o pão, a palavra que admoesta e que anima, a presença que consola e enriquece.
Naquele tempo, Conventuais e Observantes, as duas grandes tendências espirituais da Ordem dos Frades Menores, não conseguiram assimilar tais aspirações. Surge daí, em 1528, um novo grupo de irmãos, inicialmente chamados: Frades Menores da Vida Eremítica. A denominação capuchinho, usada oficialmente desde 1535, foi dada pelo povo, por causa do pequeno e longo capuz que os novos frades traziam na parte posterior de seu hábito.
Assim, o específico do Frade Capuchinho talvez seja exatamente não ser muito específico. Por isso, ele pode estar e trabalhar no hospital como na universidade, na periferia como nos centros urbanos, na paróquia como nas comunidades rurais, entre os últimos ou junto aos nobres e prelados. Pois, assim cremos, o que importa não é tanto o lugar onde nos encontramos, mas a atmosfera que aí criamos e mantemos, em que nós, no mundo e como irmãos, nos sintamos junto de Deus e experimentemos seu amor humanitário.
Consolidação e crescimento
Assim alicerçada, a Ordem Capuchinha conheceu um desenvolvimento crescente, uma notável atividade apostólica e uma extraordinária capacidade de adaptação a novas situações e às diferentes culturas. Por tão «fecundos e suaves frutos», 91 anos depois de ter sido aprovada, esta forma de vida colocada ao princípio na dependência jurídica dos Franciscanos Conventuais, recebia de Paulo V a completa autonomia com o Breve Alias felicis recordationis de 28 de Janeiro de 1619. Nessa altura, os Capuchinhos eram mais de 15 mil frades, divididos em 40 Províncias e com mais de 1000 conventos.
Não faltará quem se interrogue: Que fazem os Capuchinhos? Que obras têm entre mãos?Dão testemunho. São seguidores acabados do Evangelho, são mestres de vida espiritual realizada na sua própria vida. É esta prioridade do ser sobre o fazer que vos coloca, sem disso vos aperceberdes, nos primeiros postos da hierarquia de valores espirituais da Igreja. (PAULO VI, Audiência ao Capítulo Geral: 12-06-76)