Da Turquia, a verdade: o Papa é ''mal aconselhado'' pelos diplomatas vaticanos?
13-06-2010 | Frei Marcelo Marins Gonçalves

 

 

"Acredito que no Vaticano também entenderam que eu tenho razão: o homicídio de Luigi Padovese tem apenas motivações religiosas. O assassinato mostra, de fato, elementos explicitamente islâmicos. Não se trata do governo turco. Não se trata de Ankara. Não se trata de motivações pessoais. Trata-se apenas do Islã. Eu sei disso. O Papa disse antes de aterrissar no Chipre que 'não se trata de um assassinato político ou religioso, mas sim de uma coisa pessoal'. Acredito que ele tenha sido mal aconselhado. O Vaticano não pode nos ensinar certas coisas".

Esse é o fulgurante início da entrevista do bispo de Smirna, Ruggero Franceschini, a Paolo Rodari, no jornal Il Foglio deste sábado, 12 de junho.

A análise é de Sandro Magister, em seu blog Settimo Cielo, 12-06-2010. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Entrevista que deve ser lida na íntegra. Muito detalhada sobre o assédio islâmico aos cristãos da Turquia. Sobre as escolas que incitam ao ódio religioso e humilham os alunos batizados. Sobre a dinâmica do assassinato de Padovese. Sobre o perfil do assassino e da sua família: "Sempre é um risco se encarregar dos muçulmanos do lugar. Já aprendemos isso às nossas custas".

O bispo Franceschini é um veterano da Igreja da Turquia. É o antecessor de Padovese em Iskenderun e, no mesmo dia em que foi publicada a sua entrevista ao Foglio, ele foi nomeado pelo Papa como vigário apostólico de Anatólia, no lugar do assassinado. Foi ele que presidiu os seus funerais e fez a homilia. Foi ele que, desde o início, manteve viva atenção sobre as razões reais do assassinato, que não podia ser liquidado como obra isolada de um louco.

E é ele, agora, que denuncia publicamente o erro cometido pelas autoridades vaticanas, antes com a voz do padre Federico Lombardi, mas depois, principalmente, com as palavras ditas por Bento XVI pessoalmente a bordo do avião para o Chipre, no dia seguinte ao assassinato de Padovese.

O fato de que, neste caso, o Papa tenha sido "mal aconselhado" pela secretaria de Estado já é um dado cmoprovado, graças à franqueza de um bispo como Franceschini, que tem todas as razões para dizer: "O Vaticano não pode nos ensinar certas coisas".

Para o Sínodo dos bispos do Oriente Médio agendado para outubro próximo, esse erro foi uma desastrosa preliminar. Não há nada pior do que estimular os muçulmanos inimigos do cristianismo com declarações que, para eles, soam como atos de pura submissão.

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