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Não existem duas linhas no Vaticano sobre a avaliação do homicídio do bispo Padovese. Às vésperas da partida do Papa para o Chipre, houve uma gestão "voltada a acalmar" – defendem grandes conhecedores das "interna corporis" da Santa Sé – um impacto do assassinato que poderia ter efeitos devastadores tanto para a visita de Bento XVI, quando, ainda mais, para a organização que, com um trabalho longo, meticuloso e preciso, foi inciada pelo Pontífice para o próximo Sínodo sobre o Oriente Médio. "Evitando desse modo manipulações interessadas", acrescentam as mesmas fontes. A reportagem é de Maria Antonietta Calabrò, publicada no jornal Corriere della Sera, 08-06-2010. A tradução é de Moisés Sbardelotto. Além dos muros do Vaticano e nos ambientes diplomáticos internacionais, pergunta-se se o objetivo do homicídio de Padovese (que alguns especialistas não hesitam em definir como uma execução "à la iraquiana"), se for demonstrada como fundada a sua matriz "ritual" lançada nesta segunda-feira pela agência Asianews, foi justamente o de condicionar com um ato violento, extremo e perfeitamente calibrado nos tempos a linha de Bento XVI. "Acalmar o impacto" impediu que, eventualmente, esse objetivo fosse alcançado. Agora, a verdade dos fatos que será apurada sobre as causas da morte do bispo não poderá, em todo o caso, impedir aquilo que o Papa considera absolutamente necessário para evitar o "banho de sangue" na Terra Santa e o desaparecimento dos seguidores de Jesus Cristo dos lugares históricos da sua presença: o "triálogo" entre cristãos, judeus e muçulmanos, como caminho obrigatório para uma paz justa e duradoura. Também desse ponto de vista (isto é, ter evitado que o assassinato de Padovese condicionasse a visita), a viagem do Papa ao Chipre foi um sucesso, assim como havia sido a viagem a Malta no meio da maré alta do escândalo da pedofilia. "Não existem duas linhas", confirma também o padre Bernardo Cervellera, diretor da Asianews, a agência de informações sobre a Igreja no mundo que desde sempre é considerada como informada e confiável. Não é por acaso que o padre Samir Khalil Samir, jesuíta egípcio, professor de história da cultura árabe e de islamologia na Universidade Saint-Joseph de Beirute, considerado o maior especialista católico em Islã e influente "conselheiro" do próprio Bento XVI, que também estava presente no Chipre, escreva frequentemente na Asianews. Samir, além disso, faz parte do Comitê Científico da Oasis, a revista que faz referência ao Patriarca de Veneza, Angelo Scola, editada também em árabe. A linha do "triálogo" não pode ser considerada "uma correção" do discurso de Regensburg que o bispo Padovese também havia compartilhado totalmente. No último dia 05 de fevereiro, quarto aniversário do assassinato do padre Santoro, ele havia dito à Rádio do Vaticano: "Padre Andrea foi assassinado como símbolo enquanto sacerdote católico". | |
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