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"Uma tragédia indescritível. Uma perda humana incalculável. Dom Luigi Padovese, com o seu sacrifício, vai se somar à longa lista de novos martírios que, nos últimos tempos, ensanguentaram o caminho da Igreja no mundo. Como o padre Andrea Santoro, assassinado também na Turquia, e os tantos homens e mulheres da Igreja que sacrificaram sua vida para estar perto de quem sofre, dos necessitados, dos últimos, em nome de Cristo e do Evangelho". Dor, tristeza, pesar e muita vontade de entender "porque foi possível acontecer um fato semelhante". É o que expressa o cardeal Walter Kasper – presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos e membro de outros dicastérios importantes como o Diálogo Inter-Religioso e a Doutrina da Fé – imediatamente após o ocorrido, assim que soube da morte do bispo Padovese. A reportagem é de Orazio La Rocca, publicada no jornal La Repubblica, 04-06-2010. A tradução é de Moisés Sbardelotto. "É uma tragédia que atinge a todos, cristãos, não cristãos, crentes e não crentes, porque foi atingido um pastor muito amado dentro e fora da Turquia, mas também porque – indica o purpurado – ocorreu na véspera da viagem de Bento XVI ao Chipre. Mas antes de fazer julgamentos definitivos, é bom sermos cautos e esperar as investigações da polícia". Eis a entrevista. Cardeal Walter Kasper, com o assassinato de Dom Padovese, a Igreja Católica tem um novo mártir. Como o senhor explica isso? Não o explico. É uma perda e uma dor indescritíveis. Eu o conhecia. Havia sido hóspede em sua casa mais de uma vez, na Turquia, onde ele estava fazendo um grande trabalho pastoral. Era apreciado, seguido, admirado. Verdadeiramente, um grande pastor da família franciscana capuchinha, fino teólogo dotado de um marcado sentido do diálogo e da doutrina, mas também um grande professor do Antonianum.
O que levou o assassino a cometer o crime? É difícil dizer isso agora, a poucas horas da tragédia. É preciso prudência e cautela para expressar julgamentos nesses casos. Necessariamente, é preciso deixar que os investigadores trabalhem e esperar o êxito das investigações. É preciso ter confiança. Esperando que tudo seja esclarecido pelos investigadores locais e que, em pouco tempo, sejam removidas todas as zonas de sombra em torno a essa nova tragédia que atingiu um pastor católico muito amado pela terra onde ele desenvolvia o seu ministério. Depois do pároco de Trebisonda, padre Andrea Santoro, o presidente dos bispos turcos, Padovese. Cresce a repressão anticristã na Turquia? É difícil dizer isso, por enquanto, porque não sabemos o que verdadeiramente está na base dessa nova tragédia. Parece que o bispo foi esfaqueado pelo seu motorista, que trabalhava com ele há cerca de quatro anos. Portanto, conheciam-se bem. Parece até que esse motorista tinha problemas de saúde e sofria de depressão. É claro que tudo deve ser verificado para se ter um quadro exato, embora não seja um mistério que, na Turquia, não faltam grupos ou movimentos de natureza xenófoba. Mas trata-se de áreas isoladas, embora perigosas, que talvez não têm nada a ver com a morte de Dom Padovese. Faixas extremistas – deve-se dizer por honestidade – em nada comparáveis à imensa maioria da população turca e às instituições políticas e religiosas, com as quais a Igreja Católica tem ótimas relações, notavelmente. Como, além disso, ficou claro também ao longo da recente viagem pastoral de Bento XVI. Dom Padovese estava prestes a partir de volta para o Chipre para acolher a chegada do Papa Ratzinger. Sim, nesta sexta-feira ele estaria no Chipre como presidente da Conferência dos Bispos da Turquia. Estou certo de que o Papa o lembrará ao longo dessa importante peregrinação nas pegadas de São Paulo. A notícia da trágica morte de Dom Padovese sacudiu a todos no Vaticano, enquanto estávamos fazendo os últimos preparativos para a viagem papal. O Santo Padre ficou muito atingido, como também todos nós ficamos. Logo rezamos pelo nosso co-irmão, mas ninguém no Vaticano pensou em mudar uma só vírgula do programa da viagem ao Chipre. Não teme que o assassinato de Padovese possa ter consequências para o diálogo inter-religioso? O diálogo ecumênico e inter-religioso deve seguir em frente. Nem mesmo diante de tragédias semelhantes. É o próprio sacrifício de Dom Padovese que nos deve lembrar disso. E penso que Bento XVI também irá lembrar disso justamente no Chipre. | |||
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